O custo da cesta básica aumentou em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) no mês de abril, segundo levantamento divulgado pela entidade. A alta generalizada reforça a pressão inflacionária sobre os alimentos e amplia o impacto no orçamento das famílias trabalhadoras.
De acordo com o estudo, as maiores elevações foram registradas nas capitais da Região Sul e Sudeste, com destaque para Porto Alegre, Florianópolis e São Paulo. A capital paulista segue com a cesta básica mais cara do país, ultrapassando os R$ 880.
Entre os produtos que mais pressionaram os preços estão tomate, café, leite integral, pão francês e carne bovina. Fatores climáticos, redução de oferta em algumas regiões produtoras e custos logísticos aparecem entre os principais motivos para os reajustes observados no período.
O DIEESE destacou que o aumento acumulado dos alimentos essenciais continua comprometendo significativamente a renda das famílias, especialmente dos trabalhadores de baixa renda. Com o encarecimento da alimentação básica, cresce também a dificuldade de equilibrar despesas como aluguel, transporte, medicamentos e contas domésticas.
O levantamento aponta ainda que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser superior a R$ 7 mil, valor muito acima do salário mínimo oficial atualmente em vigor no país. O cálculo considera gastos básicos previstos na Constituição Federal, como alimentação, moradia, saúde, educação, transporte, lazer e previdência.
Especialistas avaliam que a inflação dos alimentos continua sendo um dos principais desafios econômicos para 2026. Apesar da desaceleração observada em alguns setores da economia, os produtos alimentícios mantêm pressão sobre o custo de vida, afetando principalmente trabalhadores informais, aposentados e famílias chefiadas por mulheres.
Entidades sindicais também alertam para os impactos sociais da alta da cesta básica. Segundo representantes do movimento sindical, o aumento constante dos alimentos reduz o poder de compra dos salários e dificulta avanços nas negociações coletivas, já que muitas categorias buscam reajustes capazes de recompor perdas inflacionárias.
O DIEESE reforça que o acompanhamento mensal da cesta básica é um importante indicador das condições reais de vida da população trabalhadora brasileira, sobretudo em um cenário de crescimento do endividamento das famílias e aumento da informalidade no mercado de trabalho.
