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Com alta nos preços, aumenta número de famílias que trocam gás de cozinha por lenha

Com alta nos preços, aumenta número de famílias que trocam gás de cozinha por lenha

13/10/2021

Uso de lenha já ocupa o 2º lugar entre as principais fontes de energia nas casas dos brasileiros, com 26,1% de participação contra 24,4% do GLP

Com a disparada da inflação, pressionada em especial pelos preços dos combustíveis, corroendo o poder de compra dos mais pobres, a lenha ganhou espaço nos lares brasileiros durante a pandemia do novo coronavírus, que agravou ainda mais a crise econômica do país, que totaliza 14,1 milhões de desempregados e 71,6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras ocupados, mas sem direitos.

Em 2020, o consumo de restos de madeira nas residências do país aumentou 1,8% na comparação com 2019, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

De acordo com a pesquisa,  uso de lenha já ocupa o 2º lugar entre as principais fontes de energia nas casas dos brasileiros, com 26,1% de participação contra 24,4% do gás liquefeito de petróleo (GLP). Em primeiro lugar, está a energia elétrica.

PPI é responsábel por preços exorbitantes

A lenha começou a ser mais usada do que o botijão de gás nas cozinhas brasileiras a partir de 2017, acompanhando a disparada do preço do GLP e também da gasolina e diesel.

Depois do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, o ilegítimo Michel Temer (MDB-SP) mudou a política de preços da Petrobras.

Com a decisão do golpista, os combustíveis passaram a ser reajustados de acordo com a cotação do petróleo e o câmbio. É a chamada Política Internacional de Paridade Internacional (PPI) adotada pela  Petrobras, em 2016, ano do golpe, e mantida pelo presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado nos últimos 12 meses até setembro, só o gás de botijão subiu 34,67%. O último reajuste, de 7,2%, foi anunciado na última sexta-feira (8). 

Antes mesmo do novo reajuste, em algumas cidades o preço do botijão de 13 quilos podia chegar até R$ 135. O preço médio era de R$ 97,73 reais.

Federação Única dos Petroleiros (FUP) e os Sindicatos dos Petroleiros de todo o Brasil já fizeram várias ações vendendo gás de cozinha a R$ 50, um protesto contra o valor extorsivo do botijão de 13 quilos e também uma indicação de que pode custar menos.

Lenha e álcool são alternativas perigosas

De acordo com o Centro Universitário de Brasília (UniCEUBaz), cozinha a loenha traz um grande risco à saúde, pode causar prejuízo às vias respiratórias e doença pulmonar obstrutiva crônica, além das queimaduras.

A inalação da fumaça, diz o UniCeus, pode prejudicar as vias respiratórias e causar doença pulmonar obstrutiva crônica. 

O álcool, outra alternativa perigosa, foi responsável por um aumento de 62% do total de queimados em Recife, ainda em 2017, ano em que a nova polpítica entrou em vigor.  E, mais recentemente, uma mãe morreu queimada e o seu bebê de oito meses ficou ferido por uso de álcool na cozinha.

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