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Com Bolsonaro, sobe número de trabalhadores com renda máxima de até um salário mínimo

Com Bolsonaro, sobe número de trabalhadores com renda máxima de até um salário mínimo

23/11/2022

Desde o início o governo Bolsonaro, em 2019, aumentou de 30% para 35,6% o índice de trabalhadores com renda de até um salário mínimo. Na contramão, diminuiu quem ganha até dois salários, de 35,1% para 31,6%

A retirada de 100 direitos trabalhistas contidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na reforma promovida pelo ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), que prometeu, sem cumprir, a criação de 6 milhões de empregos, em troca da exploração da mão de obra, mostra sua face ainda mais cruel sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), que não apenas manteve a reforma como aprofundou a precarização das relações de trabalho.

O resultado é um dos maiores arrochos salariais da história. Desde que teve início o governo Bolsonaro, em 2019, aumentou de 30% para 35,6% o índice de trabalhadores com renda de até um salário mínimo (R$ 1.212). Na contramão, diminuiu o número dos que ganham até dois salários (R$ 2.224), caiu de 35,1% para 31,6%. E entre os que recebiam acima de dois salários mínimos, a queda foi de 34,9% para 32,8%.

Um total de 34,7 milhões de trabalhadores ganham até um salário mínimo. Eles representam 35,6% do total de ocupados no país, que é de 97,5 milhões.

Outros, 65,5 milhões recebem até dois salários mínimos - 67,1% do total de ocupados.

Ocupados são aqueles que estão trabalhando, mesmo sem carteira de trabalho assinada, e que têm algum rendimento a partir da força de seu trabalho.

Os dados são referentes ao terceiro trimestre deste ano e foram levantados a partir da Pesquisa Nacional por Amostragem por Domicílio (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela Consultoria LCA, a pedido do jornal Valor Econômico.

Desde 2012, início da série histórica da pesquisa, a fatia de quem recebia até dois salários mínimos por mês variou entre o mínimo de 65,7% no segundo trimestre de 2014 e o máximo de 71% nos terceiro e quarto trimestres de 2021. Ou seja, desde os governos petistas, a queda de renda só cresceu.

A pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Adriana Marcolino credita à queda de rendimento do trabalhador não apenas à reforma Trabalhista como às decisões de desmontar a fiscalização trabalhista, permitindo que maus patrões contratem sem carteira assinada, explorando quem precisa trabalhar.

“Além desses fatores, a crise econômica, o crescimento pífio, a recessão e a falta de medidas que impedissem o aumento da informalidade, da rotatividade e o fim da Política de Valorização do Salário Mínimo permitiram o achatamento da renda do trabalhador”, diz.

Para este ano, apesar da inflação dos últimos 12 meses ter batido mais de 11%, Bolsonaro apresentou uma proposta de reajuste do salário mínimo de 6,7% - índice que reflete a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para 2022. Com isso, o atual salário mínimo passaria de R$ 1.212 para R$ 1.294 – um aumento de apenas R$ 82.

Se não houvesse a valorização do mínimo, o piso nacional seria hoje de apenas R$ 502, e se o atual governo tivesse mantido essa regra de reajustar acima da inflação o valor deste ano seria de R$ 36 maior, pulando de R$ 1.212 para R$ 1.248, ou 3% a mais.

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